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lembra I Ato 60 anos do Golpe: Ditadura Nunca Mais!
2024

"Lembra" é formada principalmente por instalações de lanternas em espaços de memória relacionados ao período da ditadura militar brasileira. As lanternas são construídas com sacos de papel (sacos de pão), areia, terra, argila e velas. Nas lanternas são gravados nomes de vítimas de graves violações de direitos humanos.

Os primeiros nomes lembrados foram os estudantes, professores e funcionários da UFRJ torturados, mortos e desaparecidos durante a ditadura militar brasileira.* Seus nomes são Mário de Souza Prata, Adriano Fonseca Filho, Ana Maria Nacinovic Corrêa, Antônio Carlos SIlveira Alves, Antônio Pádua Costa, Antônio Sérgio de Matos, Antônio Teodoro de Castro, Arildo Aírton Valadão, Áurea Eliza Pereira Valadão, Ciro Flavio Salazar e Oliveira, Fernando Augusto da Fonseca, Flavio Carvalho Molina, Frederico Eduardo Mayr, Guilherme Gomes Lund, Hélio Luiz Navarro de Magalhães, Jana Moroni Barroso, José Roberto Spiegner, Kleber Lemos da Silva, Lincoln Bicalho Roque, Luiz Alberto Andrade de Sá e Benevides, Maria Célia Corrêa, Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo, Paulo Costa Ribeiro Bastos, Raul Amaro Nin Ferreira, Solange Lourenço Gomes, Sônia Maria de Moraes Angel Jones e Stuart Edgar Angel Jones.

As lanternas são instaladas em locais específicos e relacionados às vítimas. Assim, se destaca a conexão entre espaços e temporalidades. Esses lugares concentram memórias que precisam ser lembradas, pessoas e fatos que jamais devem ser esquecidos.O trabalho foi instalado em duas etapas principais no dia 1/04/2024. A primeira durante manifestação em frente ao antigo Departamento de Ordem Política e Social- DOPS, no Rio de Janeiro. O prédio do Dops abrigou a polícia política da era Vargas e concentrou também algumas das iniciativas de perseguição, tortura e morte da ditadura militar. Esse éum dos principais locais de memória das violências de estado no país e seu tombamento é uma exigência de inúmeros movimentos sociais.

O ato reuniu diversas entidades e representações políticas. Durante a manifestação das entidades participantes, em microfone aberto, apresentei uma fala citando a criação da Comissão de Memória e Verdade da Escola de Belas Artes. Lembrei aos presentes que a expulsão da escola bicentenária do centro foi um crime dirigido contra artistas, estudantes, professores e funcionários. Após minha fala ao microfone, instalei nas escadarias do Dops a primeira lanterna: “Marighella”.

A segunda etapa ocorreu em frente à Faculdade Nacional de Direito- FND, ponto final da passeata “Ato 60 anos do Golpe- Ditadura Nunca Mais” e onde ocorreria a cerimônia de entrega da Medalha Chico Mendes de Resistência12. A Nacional foi o local da morte do primeiro estudante vítima da ditadura – Antonio Carlos Silveira Alves – em 1 de abril de 1964. Na segunda etapa do trabalho foram instaladas 27 lanternas com os nomes dos membros da UFRJ mortos na ditadura.

*A primeira lista de nomes adotada no trabalho utiliza como fonte a placa do Monumento aos Estudantes Vítimas da Ditadura, assinada pelo DCE Mário Prata. A placa fica localizada na Cidade Universitária, Ilha do Fundão, Rio de Janeiro. “O monumento possuía uma placa em homenagem ao ex-presidente (1969–1974) da ditadura, Emílio Garrastazu Médici. Por iniciativa do DCE Mário Prata, juntamente com a União da Juventude Rebelião (UJR) e o Movimento Correnteza, a placa foi substituída por uma em homenagem aos estudantes vítimas da ditadura no Brasil.” Visto em 29/04/2025, em: https://monumentos.rio.br/id/M521/. A destruição da homenagem a Médici é uma ação precisa dos estudantes, especialmente na Ilha do Fundão. Foi o ditador Médici quem reformulou e determinou o confinamento dos cursos na Ilha do Fundão. “Durante a ditadura civil-militar (1964-1985), no contexto das comemorações do Sesquicentenário da Independência, em 07 de setembro de 1972, foi realizada uma (re)inauguração da Cidade Universitária da UFRJ, pelo general presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), que também se apropriou da dupla efeméride e do espaço de memória para a Universidade, a fim de promover o uso político das comemorações dos 150 anos da Independência e os 52 anos da UFRJ com a entrega simbólica da retomada das obras da Cidade Universitária para a sociedade e para a instituição, como um grande legado de seu governo.” Em: QUEIROZ, Andréa Cristina De Barros. “A UFRJ E O 7 DE SETEMBRO: OS USOS POLÍTICOS DO PASSADO”. MEMÓRIA, CULTURA, HISTORIOGRAFIA & MODERNISMOS, Anais do X Simpósio Nacional de História Cultural, 2022.

A expulsão da EBA do centro do Rio se inicia por ordem de Médici e se efetiva durante o governo Geisel.

ⓒ 2023 Pedro Meyer

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